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quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Em meio às ações de reestruturação, DSEI Parintins encerra Etapa Distrital da 5ª CNSI


O Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Parintins encerrou, nesta terça-feira (8) a Etapa Distrital da 5ª Conferência Nacional de Saúde Indígena (5ª CNSI). Na ocasião, os 108 delegados escolheram os 32 representantes de Parintins que irão defender as 35 propostas da região durante a Etapa Nacional da 5ª CNSI, programada para o período de 26 a 30 de novembro, em Brasília (DF).

Os municípios de Parintins, Maués, Nhamundá e Barreirinha contarão, cada um, com quatro indígenas na Etapa Nacional. Junto ao segmento dos usuários, a plenária escolheu oito representantes do segmento da gestão e oito trabalhadores de saúde indígena. Para a coordenadora de Articulação da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), Danielle Cavalcanti, é fundamental garantir que cada segmento seja devidamente representado, assegurando paridade entre os mesmos e qualidade nas discussões das propostas.

“A equipe da Sesai fez um trabalho junto aos profissionais do DSEI Parintins para auxiliar nas discussões em grupo e na condução do processo de escolha dos delegados. O importante é o debate feito sobre as ideias, visando aprimorar a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas”, argumentou.

Entre as propostas selecionadas pelo grupo está o aumento da participação da Sesai na articulação com os demais entes que integram o Sistema Único de Saúde (SUS) para o atendimento de demandas de média e alta complexidade; o reconhecimento do trabalho de profissionais como o pajé e as parteiras tradicionais; e a garantia de mais recursos para ações do Controle Social indígena.

Os indígenas aprovaram três moções de apoio a gestão da coordenadora distrital, Paula Rodrigues, pedindo continuidade ao trabalho iniciado em 2011. Outra moção de apoio foi feita à Missão Evangélica Caiuá, entidade que mantém convênio com 17 distritos em todo o país, atuando na contratação de profissionais, educação permanente e Controle Social.

Em meio às atividades da Etapa Distrital da 5ª CNSI, o DSEI Parintins deu continuidade as ações de reestruturação do atendimento com a aquisição e entrega de 12 motores de popa de 15hp. Os equipamentos serão instalados em barcos de pequeno porte que fazem o transporte de pacientes e das Equipes Multidisciplinares de Saúde Indígena (EMSI) da cidade às aldeias e vice-versa. No mesmo período também foi inaugurada a Casa de Saúde do Índio (Casai) de Nhamundá.

“Temos que nos lembrar de toda a burocracia envolvida nos processos de aquisição de insumos, mas destacamos que conseguimos atender demandas que há muito tempo os indígenas reivindicavam”, explicou Paula Rodrigues.
   

Por Francisco Souza

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Etapa Distrital da 5ª CNSI do DSEI Yanomami reúne 250 pessoas



Diversidade e respeito à cultura indígena marcaram a Etapa Distrital Yanomami e Ye’kuna da 5ª Conferência Nacional de Saúde Indígena (5ª CNSI), que termina nesta segunda-feira (30), em Boa Vista (RR). Pela primeira vez, uma Etapa Distrital foi traduzida nas duas principais línguas (Yanomami e Ye’koana) faladas pela população atendida pelo Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Yanomami, que inclui, além da etnia que dá nome ao DSEI, mais quatro subgrupos (troncos linguísticos) Ye’kuana, Xirixana, Xiriana e Sanumã. A 5ª CNSI é organizada pela Secretária Especial de Saúde Indígena (Sesai), por meio do DSEI Yanomami, e pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS).

Para garantir que todos os 153 delegados indígenas vindos de aldeias dos estados de Roraima e Amazonas pudessem compreender a dinâmica da Conferência e expor as propostas e anseios de suas comunidades, intérpretes indígenas se revezaram na tradução simultânea de todas as apresentações, mesas redondas e debates, durante os três dias de realização do encontro. Também participaram do evento, 97 delegados e convidados não-indígenas, incluindo gestores, trabalhadores, representantes de organizações indígenas e de instituições que atuam com a saúde indígena, totalizando 250 pessoas.  

Na abertura, realizada na manhã de sábado (28), os primeiros a falar foram os interpretes indígenas. “Essa é a primeira vez que reunimos todas as etnias para debater a saúde do povo Yanomami. É uma grande oportunidade de mostrarmos o que queremos”, ressaltou Anselmo Ye’kuana.

Já o presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena (Condisi) Yanomami, Peri Yanomami, ressaltou a importância da Conferência “para busca do direito à saúde dos povos indígenas”.

O interprete da aldeia Surucucu, Junior Yanomami, falou da relação entre os indígenas e o Sistema Único de Saúde (SUS), “vamos construir propostas para que o SUS possa dialogar melhor com o povo Yanomami”.

Em seguida, a coordenadora do DSEI Yanomami, Joana Claudete Schuertz, abriu oficialmente o evento, agradecendo a presença de todas as lideranças que percorreram longas distâncias para participar da Conferência. “Temos cinco línguas diferentes, precisamos ter paciência para que todos nós possamos nos compreender e construirmos juntos as nossas propostas”, destacou.

A Conselheira Nacional de Saúde e membro da comissão organizadora da Conferência, Ruth Bittencourt, parabenizou a comissão local por garantir a presença dos intérpretes. “A Conferência é a expressão da democracia por meio da participação social”, acrescentou.

O presidente da Missão Caiuá, reverendo Daniel Fogaça, destacou o trabalho da organização não-governamental e  prestadora de serviço conveniados à Sesai para a inclusão dos indígenas no mercado de trabalho. “Atualmente, 54% dos nossos funcionários são índios que atuam direta ou indiretamente no atendimento de sua própria comunidade.”

Por outro lado, o chefe da Controladoria Geral da União em Roraima, Max Túlio Ribeiro, falou da importância da 5ª CNSI. “As propostas aqui apresentadas precisam se transformar em benefícios para a comunidade indígena”.

Debates
Ainda na tarde do dia 28 foram realizadas as apresentações dos eixos temáticos da 5ª CNSI. As apresentações continuaram ao longo do domingo (29). Nesta segunda-feira (30), último dia do evento, haverá a plenária final com a apresentação e votação das propostas trabalhadas nos grupos, em seguida a aprovação das Moções e eleição dos 24 delegados que vão participar da Etapa Nacional, que acontece em Brasília (DF), entre os dias 26 e 30 de novembro.

A Etapa Distrital do DSEI Yanomami foi precedida por quatro etapas locais, realizadas entre junho e julho, nos Polos Base do Ajarani, no município de Caracaraí (RR); Maturacá, em São Gabriel da Cachoeira (AM); Auaris, na cidade de Amajari (RR), e na comunidade de Surucucú, em Alto Alegre (RR). Durante as etapas locais, 684 delegados aprovaram 323 propostas e eleitos 92 delegados.

Sobre o DSEI Yanomami
O Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Yanomami abrange os estados de Roraima e Amazonas, com a sede em Boa Vista (RR). O DSEI atende as etnias Yanomami e Ye’koana, totalizando 21.213 indígenas. O DSEI Yanomami responde pelo atendimento básico de saúde de 284 aldeias, distribuídas em oito municípios, sendo cinco em Roraima (Amajari, Alto Alegre, Mucajaí, Iracema, Caracaraí) e três no Amazonas (São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel e Barcelos). A estrutura do DSEI conta com 37 Polos Base, 100 Postos de Saúde e uma Casa de Saúde Indígena (Casai).

Por Aêde Cadaxa


quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Projeto Saúde em Movimento leva pacientes da Casai de Macapá para conhecer museu da cidade


A equipe multidisciplinar da Casa de Saúde Indígena (Casai) de Macapá realizou, na última quinta-feira (19), mais uma atividade externa recreativa com os pacientes que recebem tratamento no local. O passeio foi no Museu Sacaca, um templo da cultura Amazônica que retrata o conhecimento dos povos indígenas, castanheiros, ribeirinhos e quilombolas. A proposta é humanizar a assistência à saúde, onde o paciente recebe os insumos necessários para o restabelecimento da própria saúde, bem como ocorre a promoção do bem-estar, da cultura e valorização dos modos de vida tradicionais.

Um ônibus cedido pelo 34º Batalhão de Infantaria de Selva (BIS) transportou cerca de 45 indígenas, entre pacientes e acompanhantes, das 11 etnias de abrangência do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Amapá e Norte do Pará. Todos puderam aprender mais sobre desenvolvimento com sustentabilidade e a busca pelo diálogo entre os saberes locais e o conhecimento científico.

A coordenadora do DSEI, Nilma Pureza, relatou que o projeto nasceu da percepção dos profissionais de saúde da Casai. “Havia uma ociosidade e um estresse dos pacientes, devido ao fato de alguns permanecerem por bastante tempo em tratamento. E com a implantação deste projeto observamos uma discreta tranquilidade no comportamento dos indígenas”, afirmou.

A atividade recreativa contou também com a participação dos indígenas tradutores, que auxiliaram os monitores do museu na orientação e explicação dos locais visitados. Até dezembro já foram agendados passeios para visitar a Casa do Artesão, a construção de Fortaleza de São José e o Complexo do Araxá.

A fisioterapeuta Fellícia Mota, responsável pelo Saúde em Movimento, explicou a importância do projeto. “A gente procura levar os pacientes idosos, aqueles que estão por um longo tempo na Casai, desde que tenham condição física para se locomover e não precisem tomar medicamento naquele período”.

A primeira atividade do projeto foi realizada em janeiro de 2012. As internas acontecem semanalmente com a exibição de filmes, palestras e peças teatrais. Já as externas são mensais, podendo envolver saídas para pontos turísticos e históricos, ou práticas esportivas na praça, com futebol, corrida, brincadeiras.


Por Giovana Simoni
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