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quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Saiba um pouco mais sobre os Grupos de Trabalho da 5ª CNSI



De fundamental importância dentro do planejamento da 5ª Conferência Nacional de Saúde Indígena (5ª CNSI), e muito comentados em cada corredor e sala do Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), local onde está sendo realizado o evento, os Grupos de Trabalho (GTs) seguem a todo vapor desde a tarde desta quarta-feira (4), quando as discussões em cada um deles foram iniciadas.

No entanto, apesar da fórmula simples, muitos delegados ainda têm dúvidas sobre o funcionamento dos GTs. Para esclarecer o assunto de forma didática, a professora Luciana Benevides, da Comissão de Relatoria, falou à reportagem da 5ª CNSI. Segundo ela, os grupos funcionam como miniplenárias, visando agilizar o trabalho de discussão e aprovação das 453 propostas que chegaram à Etapa Nacional por meio do Relatório Consolidado.

“Os delegados são divididos em 20 GTs, nos quais eles leem todas as propostas vindas dos distritos. Cada grupo vai lê-las, aprová-las ou não. Os grupos podem, ainda, fazer destaques, que são alterações nas propostas. Nessa Conferência, a única alteração permitida é a supressão de alguma parte do texto da proposta”, explica a professora.

Depois que os 20 GTs votarem todas as propostas, a equipe de Relatoria analisa se a mesma proposta foi aprovada em pelo menos 11 grupos. Se isso ocorrer, a proposta é considerada aprovada pela Conferência. Isso acontece levando-se em consideração a regra da maioria simples (50% + 1). “Se os delegados estão todos nas ‘miniplenárias’ e mais da metade aprovou a proposta, ela fica automaticamente aprovada”, salienta Luciana.

De acordo com a professora, se a proposta tem destaques em mais da metade dos grupos, os relatores vão lê-los um a um e, neste caso “difícil de acontecer”, a proposta, com destaque também está aprovada. “Outra situação diz respeito à exclusão de uma proposta. Se mais da metade dos grupos aprovar o destaque de exclusão da proposta, ela nem precisa ir para a Plenária Final”, revela.

De forma resumida, Luciana explica que o GT trabalha todas as propostas, aprova ou não, aprova os destaques e, ainda, a supressão completa da mesma. “O que mais da metade decidir é maioria, então não vai para a Plenária”, reforça, lembrando que no caso de registro de três destaques para a mesma proposta, ela vai para a Plenária Final. “A importância do trabalho realizado nos grupos é muito grande, pois, por meio dele, ficam poucas propostas a serem aprovadas na última plenária”.

Divisão dos grupos
Sobre a divisão dos delegados dentro dos GTs, a relatora explica que o processo se dá por meio de sorteio, mas que o mesmo não é aleatório. Nos grupos, a divisão também precisa ser de forma paritária. Ou seja, 50% de indígenas; 25% gestores e 25% de trabalhadores da Saúde. “Assim que a pessoa faz o credenciamento, o sistema realiza uma distribuição baseada nessas características, levando em conta o tipo de representação dos delegados e a região a qual ele pertence. É preciso haver essa divisão, pois não faz sentido colocar todos os delegados de um distrito no mesmo grupo. É importante que a argumentação das propostas sejam compartilhadas”, simplifica.
  
Moções
As moções são solicitações de um grupo de delegados que não se tornaram propostas. “A Conferência tem os temas específicos, então as propostas precisam ter relação com estes temas e serem aprovadas nas etapas distritais. No entanto, a gente sabe que existe um número limitado de propostas a serem aprovadas nessas etapas e enviadas para a Nacional. Assim, algum movimento de interesse nacional, que não se encaixou nas propostas, pode ser colocado como moção, a qual pede apoio dos demais participantes da Conferência. “Às vezes não é nada relacionado a apoio. Pode ser uma moção de repúdio a alguma ação que eles [os delegados] considerem inaceitável, tanto por parte do governo como por parte da sociedade”, exemplifica a professora.

Vale lembrar que para que uma moção seja aprovada, ela precisa ser de âmbito nacional. “Não cabe nem colocá-la em discussão se ela for de nível apenas local, já que o corpo de delegados não teria nem parâmetro para decidir se apóia ou não aquele tipo de moção”, diz Luciana, reiterando. “Quando ela se encaixa nesse perfil de âmbito nacional, os responsáveis pela moção precisam colher a assinatura de pelo menos 10% dos delegados presentes na Etapa nacional. Dessa forma, ela alcança o quórum necessário para ir à Plenária Final, onde será lida, aprovada ou não. Se aprovada, ela entra nos anais na Conferência”.  

A relatora lembra que propostas e moções são distintas, mas, ao serem aprovadas, as moções ficam registradas nos documentos da 5ª CNSI e vão parar no Conselho Nacional de Saúde (CNS), que pode pautar outras instâncias nas discussões para que elas apóiem, trabalhem e articulem em favor daquele assunto.

Dito isso, Luciana lembra que o trabalho da Comissão de Relatoria deve seguir noite afora e invadir a madrugada dessa sexta-feira (6). Afinal, somente com o relatório das propostas discutidas nos GTs é que é possível iniciar os trabalhos da Plenária Final, o último ato da Conferência. “Só saímos daqui quando terminarmos de verificar as propostas e sabermos quais vão ou não para a Plenária Final. Ainda assim, todas serão lidas em plenária, mesmo as aprovadas”, conclui. 

Por Paulo Borges
Foto: Luís Oliveira - Sesai/MS

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Secretário acompanha discussões nos Grupos de Trabalho da 5ª CNSI

O secretário Especial de Saúde Indígena, Antônio Alves de Souza, visitou nesta terça-feira (3) os 20 Grupos de Trabalho do primeiro dia de debates da 5ª Conferência Nacional de Saúde Indígena (5ª CNSI). Neste primeiro momento, os delegados falam sobre a realidade da sua região e como as propostas apresentadas na Conferência podem melhorar a saúde nas aldeias.

Alves afirmou que durante a duração do evento quer acompanhar de perto os debates e ouvir pessoalmente as expectativas e opiniões dos mais de 1.500 participantes. “É um exercício de ouvir mais do que falar. É importante esse momento onde eles podem relatar individualmente as angústias que vivem”, afirmou o secretário.

Alexandre Alemão, indígena de São Gabriel da Cachoeira (AM), pertencente ao Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Alto Rio Negro, reforçou a necessidade desse diálogo, devido a especificidade das situações vivenciadas por cada comunidade. A liderança lembrou os problemas enfrentados na região.

“Nós enfrentamos muitas dificuldades para chegar até aqui, viajamos três dias de barco e avião para poder falar sobre os nossos problemas durante a Conferência. É muito bom poder conversar com o secretário”, afirmou o delegado.

Ao percorrer as salas, Alves explicou que é importante ter muita atenção na hora da aprovação das propostas. “Não podemos aprovar propostas no calor do momento, que não tenham resolutividade. As propostas devem ser coerentes para serem implementadas no futuro”, argumentou o gestor.

Somente para a gestão, os indígenas formularam 127 propostas. Para o secretário, esse número mostra que os indígenas têm plena compreensão da complexidade dos problemas enfrentados atualmente na Saúde Indígena. “Isso nos demonstra onde está o gargalo, e na visão deles é a gestão”, avaliou Antônio Alves.

Além da visita aos grupos, Alves também foi verificar o trabalho técnico das equipes de apoio da 5ª CNSI. Na sala da Comissão de Relatoria, ele pôde visualizar a forma como os relatores estão trabalhando, com o foco em manter a fidelidade das discussões nos documentos oficiais da Conferência. Clicando aqui é possível conferir as inovações propostas pela equipe de Relatoria da Conferência.

Por Francisco Assul 
Foto: Luís Oliveira - Sesai/MS


quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Relatores da 5ª CNSI participam de oficina



A Comissão Organizadora da 5ª Conferência Nacional de Saúde Indígena (5ª CNSI) realiza, nesta quinta-feira (12) e sexta-feira (13), na Universidade de Brasília (UnB), a Oficina de Relatoria da 5ª CNSI. O objetivo é ajustar o conhecimento entre os relatores acerca dos documentos orientadores e familiarizá-los com o Sistema de Apoio a Conferência (Sisconferência), criado pelo Datasus, bem como pactuar a metodologia e dinâmica de trabalho para a elaboração do Documento Síntese da 5ª CNSI, que acontece entre os dias 26 e 30 de novembro, em Brasília (DF).

Entre as pessoas que participam da Oficina estão os 15 relatores nacionais, aprovados de acordo com a Portaria da 5ª CNSI; 15 relatores de apoio e 40 estudantes, todos indígenas, da área de saúde da UnB.
De acordo com a programação, nesta quinta-feira a oficina será voltada para as práticas de laboratoriais, por meio das quais os envolvidos são instruídos a utilizar a ferramenta. No dia seguinte, o objetivo é reforçar o papel da relatoria, e como a mesma atuará na Etapa Nacional da 5ª CNSI.

O secretário Especial de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, Antônio Alves, recebeu os participantes e reforçou a importância da oficina. “O papel da relatoria é de suma importância, pois vocês receberão as propostas formuladas durante as etapas distritais, de modo a garantir a participação efetiva desses 1.352 delegados que virão para a Etapa Nacional após esse período de debates nos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs). Espero que esse encontro seja bastante produtivo”, disse.


A relatora-geral da 5ª CNSI, professora Maria de Fátima Sousa participou da abertura da oficina. Ela destacou a importância do trabalho da relatoria, mas também enfatizou a alegria de poder fazer parte da Comissão Organizadora da 5ª CNSI. “Vivemos, mais do que a felicidade, a oportunidade de participar da 4ª CNSI. E, agora, nesta Conferência, espero honrar a confiança dos meus pares”, afirmou a professora.

A professora também reforçou a essência do trabalho dos envolvidos. “A relatoria é o coração da Conferência. Somos os porta-vozes das etapas locais, distritais e nacional. Nosso papel não é somente traduzir, mas sim sermos fiéis ao que é proposto nesses encontros, pois as propostas são, de fato, os desejos dos índios. Temos que agir dessa forma para que o subsistema de saúde indígena seja bem sucedido. Não podemos falhar. Temos que ser como uma orquestra harmoniosa”, finalizou.

Por Paulo Borges
Fotos: Luís Oliveira/Sesai-MS

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